Resenha Histórica

A união de freguesias foi constituída em 2013, no âmbito de uma reforma administrativa coma sede em Vila Seca.
Diário da República, 1.ª Série, n.º 19, Lei n.º 11-A/2013 de 28 de janeiro (Reorganização administrativa do território das freguesias). Acedido a 2 de fevereiro de 2013.
 
VILA SECA
Dizer que é seca por não ser banhada por rio ou ribeiro pode não ser razão para o nome, visto no país existirem outras Vila Secas com ribeiro.
A freguesia possui uma beleza singular, as construções antigas são decoradas por um calcário moreno e do adro da igreja matriz pode-se observar um belo quadro com o vale de Bruscos, os campos e montes envolventes.
Da sua fundação pouco se sabe, mas no seu topónimo é evidente o medievalismo, pois contém o elemento arcaico vila (sentido territorial - agrário populacional).
A legislação quinhentista revela-nos que no ano 1514 Vila Seca era um julgado do termo da cidade de Coimbra, mas em 25 de Agosto de 1649 já era um pequeno concelho do mesmo termo, no qual existia em 1658 uma companhia de ordenanças.
Há conhecimento que um Gregório Vasques, entre vários legados, doou a Igreja de Vila Seca à sede de Coimbra, no século XIV com a obrigação de dizerem uma missa pela sua alma às sextas feiras, daí se concluir a antiguidade da Igreja e da Freguesia. 
Apesar da sua denominação afirma-se que nunca chegou a ser Vila. Assim vila, terá aqui o sentido de casa de campo, e seca por não ser irrigada por qualquer rio ou riacho.
 
ALDEIAS
 
Alcouce
Fica a leste de Condeixa-a-Nova, num pequeno planalto e a sua fundação deve estar dependente da acção árabe, dada a formação do vocábulo Alcouce. 
Pouco se sabe sobre o seu povoamento até ao ano de 1190, mas sabe-se porém que em 1134, os cristãos já possuíam a mata de Alcunnaizar. 
Em 1367 é designada por Alcoeiça, conforme os títulos de compra e de doação, onde passa para o senhorio do cabido de Coimbra, cuja designação se mantém, no cadastro de 1527, tendo adquirido a forma de Alcouce no Séc. XVIII.
É tradição que Alcouce teve inicio no terreno fronteiro, um pouco a sul do plano em que actualmente está localizado, sitio hoje conhecido por S. João Velho e, onde se diz que foi encontrada uma velha imagem com este nome, a qual se guarda presentemente na capela da povoação. 
É o lugar mais pitoresco do concelho. Nele existem algumas casas com varandas e balcões, onde as pedras dos degraus das escadas, gastas pelo subir e descer de várias gerações, nos evocam o passado.
 
Bruscos
O nome Bruscos é referenciado desde o ano de 1145 por ser uma herdade cultivada e formava um agregado populacional, em 1147 aparece na carta de venda da herdade de Podentes a Rodrigues Pelais, alcaide de Coimbra, em 1159 surge num documento que  menciona a estrada de Bruscos para Podentes e em 1175 dá-se a aquisição por Pedro Julião, sub-diácono da Igreja de S. Cristovam de Coimbra, de duas casas e uma terra, onde novamente se referencia esta localidade.
Bruscos está dividido em quatro núcleos que possuem denominações antigas: Torre (por outrora ali se ter erguido uma torre mourisca); Quelha (tem o significado de ruela estreita); Malta (Por ali haver residido um dignitário da Ordem de Malta) e Concelho (por ter sido o local onde esteve provavelmente o “Domus” do seu “Pequeno Concelho”, que se extinguiu em 1835)
 
Traveira
Este topónimo surge no foral de germanelo (1142-1146) e ainda num documento de 1144. No arquivo da Universidade de Coimbra existe cópia de quatro diplomas que se referem ao lugar, sendo o mais antigo de Agosto de 1181 e o mais moderno de Setembro de 1218. Num deles fala-se no rio de Traveira.
 
Ribaldo
Um documento de 1147 fala de D. Rodrigo Pelais e sua esposa D. Elvira Rabaldes, senhora de terras nesta região, daí o seu topónimo – Ribaldo.
Bibliografia: Tese Licenciatura em História apresentada à Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, por Beatriz da Conceição L. Sequeira em 1973  
 
AS INVASÕES FRANCESAS
No dia 20 de Março, vai o Sr Padre Rolando fazer uma pequena homenagem, ao povo da nossa Freguesia, que sofreu como todo o país as consequências das invasões francesas, nos anos 1808/1812.
Pela nossa igreja ainda existem essas marcas; um furo no bronze do nosso sino, e a imagem em pedra de um Santo António decapitado também pelas forças das balas, e quem sabe das baionetas.
Existem ainda na lembrança relatos transmitidos oralmente, de algumas coisas que se passaram, e a propósito disso na festa anual da Junta de Freguesia em 23 de Novembro de 2003 escreveu o Sr. Manuel Adriano (falecido) estas quadras com a simplicidade que lhe era característica, mas com a sensibilidade de poeta do povo.
O Meu Lugar "Traveira"
Neste lugar
Há uma história que encanta
Foi aí que deu o nome
Ás terras da Fonte Santa
Há anos passaram aqui
As invasões francesas
Tiveram que intervir
As tropas portuguesas
Neste sítio
O que veio acontecer
Os homens cheios de sede
sem água para beber
Mas eis que
Aparece Nossa Senhora
Que faz surgir
Água da terra pra fora
E foi daqui
O que todos espanta
Que nasceu
O nome da Fonte Santa
É por este milagre
E do nosso exército de glórias
Que temos na nossa Capelinha
Nossa senhora das Vitórias
Autor: Manuel Adriano
23 de Novembro de 2003
 
PESSOAS ILUSTRES
Joaquim dos Santos Silva foi um ilustre químico que nasceu em 23 de Janeiro de 1842 e faleceu em 22 de Abril de 1906. Natural de Bruscos abandonou a sua aldeia e seguiu para Coimbra, onde se tornou comerciante. Algum tempo depois, trocou o balcão pela farmácia e foi tal a sua aptidão para os estudos químicos que, cedo, encontrava-se a preparar o laboratório da Universidade. Aluno distinto terminou sua instrução cientifica na Alemanha. 
Criada a Escola Superior de farmácia, dela foi professor, sendo considerado o primeiro analista do Pais e figurando na lista dos poucos portugueses que eram conhecidos no estrangeiro. Publicista fértil e distinto a sua obra Analise Químicos notabilizou-se de tal forma que atingiu as cinco edições.
Cónego Manuel António Ramalho, ilustre filho de Alcouce, nasceu a 28 de Fevereiro de 1854 e faleceu em 14 de Fevereiro de 1937
Formado em direito e Teologia, foi cónego da Sé de cabo Verde e da de Coimbra, professor do Seminário desta cidade e ilustre orador sagrado. Para além destes cargos, exerceu ainda a dignidade de pregador apostólico das visitas pastorais. A clareza das suas orações tornava-se muito apreciadas pelos ouvintes.
Padre António Ferreira da Silva Melo foi Bacharel formado em Cânones, “varão cheio de probidade e religião nos três estados da sua vida conjugal, vidual e sacerdotal. Faleceu em 14 de Julho de 1864, com 77 anos”, de acordo com a lápide encontrada no cemitério da povoação”.
 
BENDAFÉ
“Na reconquista de Fernando Magno, em 1064, participou em larga escala uma população islamizada. Devido a esta massa populacional, também na toponímia se fixou, nesta época, um número avultado de nomes árabes, sendo um desses o de Bendafé.
A povoação, em 1190, é nomeada Ambidenfer, como uma das póvoas ou herdades confinantes de Alcouce e nove anos mais tarde já há referência à igreja de Santa Justa de Abendafer. A forma Abendafer é ainda usada no século XIII. No ano de 1 em 1514 surge como "Bedaffoe", sendo mencionada como uma judiaria, pertencente ao termo de Coimbra, apresentando mais tarde a grafia de "Benda Fee". A 25 de Agosto de 1649, encontra-se mencionada como concelho, integrado no termo de Coimbra, categoria que viria a perder em 1835. No ano seguinte, a 31 de Dezembro passa a constituir uma freguesia independente, no entanto, por volta de 1910, viria a ser anexada à freguesia de Vila Seca, situação em que permaneceu até 17 de Setembro de 1915.
 
Na Carta Corográfica na escala de 1/50000, editada em 1901, regista-se erroneamente a povoação pelo nome de Bem da Fé e o Código Administrativo, do ano de 1936 e ainda o Recenseamento da população de 1940 também assim a designam. Leite de Vasconcelos diz-nos que no verso dum documento do séc. XII – que regista a povoação por Bendafeir - está uma nota, em letra do séc. XVII, que diz Bem da Fé e conclui ser a modificação derivada por etimologia popular. O notável filólogo assim o julgou mas nem os documentos nem a própria etimologia popular mencionaram jamais o lugar por Bem da Fé. Havia, pois, que aceitar a forma Bendafé, como redução, por sucessivas transformações do seu mais antigo nome Abibendafer. No entanto, como acima dissemos, foi o Código Administrativo de 1940 que legalmente consagrou o toponímico Bem-da-Fé.
 
Em 1514 menciona-se este lugar como juradia do termo de Coimbra. Em 25 de Agosto de 1649 um documento classifica concelho também do termo de Coimbra, categoria que veio a perder no ano de 1835.
 
Pelo decreto-lei de 31-12-1936, Bendafé passou a constituir freguesia autónoma; recorda isso que estava incorporada na de Vila Seca.